O texto a seguir está escrito em terceira pessoa. Trata-se da apresentação do primeiro livro de Hamilton Antunes, com a apresentação do autor e suas motivações para escrever.
O livro.
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| Segunda edição pela Editora Biblioteca24x7. |
Vidas Vinculadas à Tragédia, de Hamilton Antunes, foi publicado
pela Editora Artes e Textos no final do ano de 2009. Se trata de uma
história que relata cronologicamente a vida de vários personagens
ao longo dos anos. Entre eles se destacam Clark Meisinger e Edward
Radmim, sendo ambos o núcleo do romance. Este primeiro é filho de
um empresário, Ricardo Meisinger, que após a misteriosa morte do
pai assume a presidência da empresa Meisinger Multimídia. Diferente
de Clark, Edward é um jovem novo na cidade e já de início tem em
Clark, por um motivo fútil, um rival e procura mostrar-se superior a
ele; nesse propósito ele o surpreende ingressando na empresa que
pertence à família Meisinger, o cenário que se torna, durante
anos, o campo de batalha de uma guerra de orgulho e humilhação
entre dois jovens que em poucos anos se tornam empresários
orgulhosos atuantes na mesa empresa, um defendendo sua área de outro
que ascende ameaçadoramente dia após dia.
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| Primeira edição pela Editora Artes e Textos. |
Nos primeiros capítulos, Edward, novo na cidade, conhece Júlia e da
união deles nasce Manuelle. Porém, sendo ele um jovem orgulhoso, o
preconceito faz com que ele renuncie sua filha, movido pela profissão
e pelo oprobrioso passado de Júlia. Manuelle, então, cresce
distante do pai presenciando a decadência de sua mãe, e nos anos
que se passam flui em seu íntimo uma certa aversão contra o pai
omisso que a abandonara apenas pelo orgulho.
Um livro contundente e marcado por acontecimentos trágicos que fará
você olhar para o espelho, identificando-se, e perceber o que na sua
vida precisa de mudança e que cabe apenas a você decidir. Uma
história forte e cheia de mistérios e segredos, de descrições
sobre as mais diversas singularidades. Será impossível você não
se identificar com um desses personagens e não surpreender-se ao
terminar de ler esse livro.
O autor.
Hamilton Antunes tem 32 anos. É paranaense em mora atualmente em Curitiba. É escritor autodidata e seu primeiro livro dá ênfase ao realismo em sua total profundidade. Usa ele usa de um argumento de que apenas o realismo pode abrir os olhos das pessoas para a ralidade, e assim torná-las-as pragmáticas. Acredita que apenas as pessoas, individual ou conjuntamente, podem resolver os problemas que assolam a sociedade. Atualmente, Hamilton está na concluindo seu segundo livro, o romance Lembranças de uma Obsessão que será publicado em 2017.
Os personagens de Vidas Vinculadas à Tragédia e um pouco da história.
O Vidas Vinculadas à Tragédia é um romance complexo, tanto pela
sucessão de acontecimentos quanto pela repleção de personagens.
Eles são mais de 50 no total, alguns citados poucas vezes no livro.
São personagens de singularidades totalmente divergentes, como no
caso de Clark Meisinger e Edward Radmim, e todos dotados de defeitos
e qualidades muito bem descritos no trama, como, por exemplo,
acontece com Clark Meisinger, cujo pai era presidente de uma empresa
onde, após sua morte, Clark toma como regente. A principal qualidade
de Clark, mesmo que não seja detectada por muitos dos leitores
enlevados pela pecha de ambição e antipatia desse personagem, é a
inteligência e o amor-próprio, porém, essa qualidade é detectável
apenas no primeiro dos três livros em que se divide a história;
essa pabulagem se torna excessiva e logo se converte em ambição e
emulação pelo segundo personagem que no decorrer do tempo se
sobressai, o que contribui muito para o aumento da antipatia de
Clark, convertendo ela em aversão e concluindo o que no início se
trata apenas de um “croqui” desse personagem, fazendo dele uma
figura fria e impassível; Edward Radmim, no início da história,
ambientada no ano de 1981, é apenas um jovem novo em uma cidade
cheia de pessoas desconhecidas, onde sente-se um estranho sozinho e
desprotegido depois de sair de sua cidade natal e do conforto da casa
dos pais. A primeira amizade de Edward naquela cidade fora Clark
Mesinger, na faculdade, mas após uma discussão um tanto insensata e
ingênua, essa amizade se transforma em animosidade. Altivo, Edward
decide mostrar sua força ao “filhinho de papai” mais enfatuado
da cidade, pensando nisso, ele ingressa na empresa Meisinger
Multimídia, pertencente à família Meisinger. Clark também começa
a atuar na empresa cujo pai é presidente, e, coincidentemente, a
integração deles acontece no mesmo dia, Clark como acionista e
Edward como diretor contratado por Paulo Voigh, um dos acionistas da
empresa e um dos principais personagens da história. A partir de
então o chão da empresa se torna o campo de batalha de dois
inimigos crescentes, ambos orgulhosos cheios de antipatia crescente;
porém, a singularidades de ambos é facilmente visível, a emulação
de Clark pela personalidade intrépida de Edward se confunde com
ambição enquanto a altivez e a moderada ambição de Edward é
confundida com orgulho que o força a mostrar-se superior a Clark,
resistindo às investidas cheias de humilhações partidas por este.
No primeiro livro, antes mesmo de ingressar na empresa Meisinger,
Edward conhece Júlia. Da união deles nasce Manuelle, que se torna o
núcleo da história a partir do Segundo Livro. Júlia é uma viúva
de um microempresário e teve com ele um filho, Reginaldo Cavalhais,
e carrega consigo a vergonha de um passado distante. Sendo um jovem
orgulhoso, Edward, movido pelo passado de Júlia e pela sua ocupação,
renuncia Manuelle já nos primeiros meses de vida. Essa cresce
distante do pai omisso presenciando a decadência da mãe sabendo que
seu pai, orgulhoso e negligente, se tornara um rico acionista de uma
empresa. As vicissitudes, as circunstâncias um tanto penosas provoca
em Manuelle uma certa aversão contra o pai que a negligenciara.
Outro personagem muito importante é Roberto Wurmam, o melhor amigo
de Clark e seu maior cúmplice e confidente. Roberto é como um
correspondente que corre atrás de fofocas e ao descobrir algo
entrega pormenorizadamente para Clark. É ele que ao descobrir algo
sobre a filha de Edward, essa já com mais de 16 anos, relata ao
presidente da Meisinger, que dessa descoberta maquina um plano que
futuramente se tornaria o primórdio de uma tragédia.
Alberto Cooper é outro personagem da história e o único citado no
prefácio. É um detetive que atua em casos de mortes misteriosos,
como, no primeiro livro, a morte de Ricardo Meisinger, pai de Clark.
É um personagem frio e é esse personagem que desenlaça em diálogos
com João Lopes, seu antigo parceiro de investigação, o último
mistério da história, a morte fatídica de um personagem.
A parte idílica da história e enredada em torno de um outro
personagem e Manuelle Cavalhais; Jasom Mirojinick no início é um
jovem músico que se apaixona por Manuelle. O amor dele por ela o faz
aquiescer ao pedido de Júlia para que essa permitisse o namoro de
sua filha, e ele, então, acaba deixando sua banda de rock e seu
sonho de um dia se tornar um cantor de sucesso. É um personagem
triste que se torna um tanto poético quando Manuelle resolve
terminar o namoro entre eles.
Entre os personagens que compõem a história se destacam também
Cristiane Graça e Bruna Lewis, sendo essa primeira esposa de Edward
Radmim e a segunda esposa de Clark Meisinger. Em seu casamento,
Cristiane é uma mulher feliz ao lado do marido, enquanto Bruna vive
a tristeza de seu conúbio com Clark, que certamente não a ama e
trata ela com indiferença e às vezes agressividade.
Uma inspiração fatídica.
Se alguém perguntar a algum escritor que acaba de
publicar uma obra qual foi a inspiração para escrever um romance de
tragédias e esse escritor responder que foi algum acontecimento
funesto que marcara e marcará para sempre sua vida, a pessoa que
tivera feito a pergunta ficaria um tanto confusa, pois a maior parte
das pessoas acreditam equivocadamente que a inspiração provém de
acontecimentos agradáveis, que ela surge em momentos que o escritor
sente-se jubiloso, feliz, romântico ou no máximo melancólico. Mas
é um axioma entre os escritores o fato de que a inspiração surge
nos momentos em que os mais variados sentimentos, sendo agradáveis
ou não, estiverem no ápice, palpitando, fazendo com que o escritor
sinta uma insana vontade de sair à rua gritando as palavras que
estão em sua mente. Mas ele não pode fazer isso. Por essa razão, na
intenção de que porventura algum dia uma pessoa literalmente leia
seus pensamentos, ele apanha uma folha de papel e uma caneta e risca
ali as palavras.
Para o autor do Vidas Vinculadas à Tragédia foi mais
ou menos dessa forma que aconteceu. A inspiração foi fatídica.
Era 2005. A cidade era Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. Na época, Hamilton Antunes trabalhava em uma
metalúrgica no turno da noite, sem objetivo nenhum na vida,
realmente além de trabalhar e posteriormente ter uma família e uma casa. Um
carro, talvez. Enfim, sonhos “módicos”, modestos, de pessoas
comuns. Trabalhava sem imaginar que naquela noite de 17 de maio uma
surpresa o obtundiria, não apenas a ele como a todos de sua família.
Tudo começou quando, sentado nos degraus de um ônibus, ele percebeu
de soslaio que o encarregado do setor de montagem da empresa se
aproximava e o chamou com um aceno quando Hamilton fixou os olhos em
seu rosto; a soturnidade marcando a expressão dele de certa forma
subjugou o funcionário. Junto ao encarregado já estava seu irmão,
Claudemir da Silva Antunes, que também trabalhava naquela empresa.
Segundos depois os três caminhavam paralelamente em
direção os portões de saída da empresa. Enquanto caminhavam,
assim que chegaram ao pátio, o encarregado pronunciara as palavras
num tom de voz seco, assomo de que ele mesmo se esforçava para
acreditar nas palavras que saíam pela boca:
"Houve um assalto
perto de sua casa. Sua irmã e seu cunhado foram assaltados próximo
ao cemitério". Ele olhou com gravidade para o rosto dos dois em sua frente. Tinha
que ser inexorável, não delongar a aflição patenteada naqueles
olhos. "Disseram que sua irmã está morta e seu cunhado levou um tiro
e foi levado ao hospital".
Houve um suspiro de ambos os irmãos e uma aflitiva
troca de olhares. Alguns minutos depois estavam os dois ao lado do
cemitério, ao lado do corpo procumbido no chão de terra.
No outro dia pela manhã o corpo de Marines da Silva
Antunes foi velado próximo a sua casa; coincidentemente, naquele dia
chuvoso sua filha completara seu segundo aniversário.
Vinte oito dias depois os investigadores elucidaram o
caso, eles encontraram o criminoso; o próprio marido de Marines
tivera dissimulado um assalto e disparou alguns tiros contra sua
esposa e um contra sua própria barriga. No dia do julgamento, meses
depois, ele usara de um álibi falso que até no juri composto de
otários se denotava olhares duvidosos. Mas foi provado
indiscutivelmente pelos investigadores e asseverada pela promotora
que Marines não estava traindo seu marido e que ele a matou para
apossar-se de um seguro de vida que ela tinha na empresa em que
trabalhava. Acreditam-se que um promotor só é bom profissionalmente
se ele for empático e um advogado só é bom realmente se for
inexorável.
Dizem que a inspiração surge em momentos impróprios,
talvez “impróprio” não seria a palavra apropriada, e sim
“inopinada”. Seria verdade? Surge nos momentos em que estamos
taciturnos, felizes, arrebatados, vazios... São palavras que
exprimem do nosso ponto de vista, do nosso coração, o que sentimos
naquele momento.
Dias depois da morte de sua irmã, Hamilton, relembrando
de cada segundo dos dois últimos dias, apanhou um papel e uma caneta
de tampa mascada e começou a riscar as primeiras palavras do que
quatro anos depois seria o livro Vidas Vinculadas à Tragédia. Foi
um texto rápido em um tanto deprimente que se encontra destacado no
primeiro dos três livros em que se divide o romance, após a morte
de um personagem:
"Quando se olha ao redor e consegue-se ver
apenas lágrimas, quando dá impressão que o próprio espírito
abandonou seu corpo, nesse momento você se torna nada mais que um
miserável cadáver ambulante. Quando todos tentam sorrir
disfarçadamente para que o clima de tristeza, angústia e abandono
se dissipe, e quando você olha para o “centro” de tudo aquilo e
não se conforma em estar ali, a lágrima cai...,. Nesse momento você
não consegue parar para pensar, tipo, não pensa em andar três
passos para lá e voltar três passos para cá. Não relembra de
momentos felizes, afinal, nem sobra espaço dentro de si para
relembrar. Nesse momento, um segundo se transforma em um minuto, e
aquela manhã, e aquela tarde, e também aquela noite, juntas se
transformarão no dia mais árduo e deprimente de toda sua vida.
Porque ninguém consegue superar uma perda, simplesmente
habituamos-nos a ela e nos tornamos pessoas diferentes. Surge, então,
a maturidade que todos querem, mas depois que a conquistam começam a
sentir inveja da pueril felicidade das crianças, únicos pequenos
seres que vêem a vida como um simples parque de diversões."
Nasceu, assim, de forma triste, um escritor cheio de planos e ideias que serão descritas em um papel. Palavras que um dia, provavelmente, alguém as leia e as compreenda.


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