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sábado, 21 de maio de 2016

VIDAS VINCULADAS À TRAGÉDIA

O texto a seguir está escrito em terceira pessoa. Trata-se da apresentação do primeiro livro de Hamilton Antunes, com a apresentação do autor e suas motivações para escrever.

O livro.

Segunda edição pela Editora Biblioteca24x7.
Vidas Vinculadas à Tragédia, de Hamilton Antunes, foi publicado pela Editora Artes e Textos no final do ano de 2009. Se trata de uma história que relata cronologicamente a vida de vários personagens ao longo dos anos. Entre eles se destacam Clark Meisinger e Edward Radmim, sendo ambos o núcleo do romance. Este primeiro é filho de um empresário, Ricardo Meisinger, que após a misteriosa morte do pai assume a presidência da empresa Meisinger Multimídia. Diferente de Clark, Edward é um jovem novo na cidade e já de início tem em Clark, por um motivo fútil, um rival e procura mostrar-se superior a ele; nesse propósito ele o surpreende ingressando na empresa que pertence à família Meisinger, o cenário que se torna, durante anos, o campo de batalha de uma guerra de orgulho e humilhação entre dois jovens que em poucos anos se tornam empresários orgulhosos atuantes na mesa empresa, um defendendo sua área de outro que ascende ameaçadoramente dia após dia.
Primeira edição pela Editora Artes e Textos.





Nos primeiros capítulos, Edward, novo na cidade, conhece Júlia e da união deles nasce Manuelle. Porém, sendo ele um jovem orgulhoso, o preconceito faz com que ele renuncie sua filha, movido pela profissão e pelo oprobrioso passado de Júlia. Manuelle, então, cresce distante do pai presenciando a decadência de sua mãe, e nos anos que se passam flui em seu íntimo uma certa aversão contra o pai omisso que a abandonara apenas pelo orgulho.
Um livro contundente e marcado por acontecimentos trágicos que fará você olhar para o espelho, identificando-se, e perceber o que na sua vida precisa de mudança e que cabe apenas a você decidir. Uma história forte e cheia de mistérios e segredos, de descrições sobre as mais diversas singularidades. Será impossível você não se identificar com um desses personagens e não surpreender-se ao terminar de ler esse livro.




O autor.

Hamilton Antunes tem 32 anos. É paranaense em mora atualmente em Curitiba. É escritor autodidata e seu primeiro livro dá ênfase ao realismo em sua total profundidade. Usa ele usa de um argumento de que apenas o realismo pode abrir os olhos das pessoas para a ralidade, e assim torná-las-as pragmáticas. Acredita que apenas as pessoas, individual ou conjuntamente, podem resolver os problemas que assolam a sociedade. Atualmente, Hamilton está na concluindo seu segundo livro, o romance Lembranças de uma Obsessão que será publicado em 2017.







Os personagens de Vidas Vinculadas à Tragédia e um pouco da história.

O Vidas Vinculadas à Tragédia é um romance complexo, tanto pela sucessão de acontecimentos quanto pela repleção de personagens. Eles são mais de 50 no total, alguns citados poucas vezes no livro. São personagens de singularidades totalmente divergentes, como no caso de Clark Meisinger e Edward Radmim, e todos dotados de defeitos e qualidades muito bem descritos no trama, como, por exemplo, acontece com Clark Meisinger, cujo pai era presidente de uma empresa onde, após sua morte, Clark toma como regente. A principal qualidade de Clark, mesmo que não seja detectada por muitos dos leitores enlevados pela pecha de ambição e antipatia desse personagem, é a inteligência e o amor-próprio, porém, essa qualidade é detectável apenas no primeiro dos três livros em que se divide a história; essa pabulagem se torna excessiva e logo se converte em ambição e emulação pelo segundo personagem que no decorrer do tempo se sobressai, o que contribui muito para o aumento da antipatia de Clark, convertendo ela em aversão e concluindo o que no início se trata apenas de um “croqui” desse personagem, fazendo dele uma figura fria e impassível; Edward Radmim, no início da história, ambientada no ano de 1981, é apenas um jovem novo em uma cidade cheia de pessoas desconhecidas, onde sente-se um estranho sozinho e desprotegido depois de sair de sua cidade natal e do conforto da casa dos pais. A primeira amizade de Edward naquela cidade fora Clark Mesinger, na faculdade, mas após uma discussão um tanto insensata e ingênua, essa amizade se transforma em animosidade. Altivo, Edward decide mostrar sua força ao “filhinho de papai” mais enfatuado da cidade, pensando nisso, ele ingressa na empresa Meisinger Multimídia, pertencente à família Meisinger. Clark também começa a atuar na empresa cujo pai é presidente, e, coincidentemente, a integração deles acontece no mesmo dia, Clark como acionista e Edward como diretor contratado por Paulo Voigh, um dos acionistas da empresa e um dos principais personagens da história. A partir de então o chão da empresa se torna o campo de batalha de dois inimigos crescentes, ambos orgulhosos cheios de antipatia crescente; porém, a singularidades de ambos é facilmente visível, a emulação de Clark pela personalidade intrépida de Edward se confunde com ambição enquanto a altivez e a moderada ambição de Edward é confundida com orgulho que o força a mostrar-se superior a Clark, resistindo às investidas cheias de humilhações partidas por este.
No primeiro livro, antes mesmo de ingressar na empresa Meisinger, Edward conhece Júlia. Da união deles nasce Manuelle, que se torna o núcleo da história a partir do Segundo Livro. Júlia é uma viúva de um microempresário e teve com ele um filho, Reginaldo Cavalhais, e carrega consigo a vergonha de um passado distante. Sendo um jovem orgulhoso, Edward, movido pelo passado de Júlia e pela sua ocupação, renuncia Manuelle já nos primeiros meses de vida. Essa cresce distante do pai omisso presenciando a decadência da mãe sabendo que seu pai, orgulhoso e negligente, se tornara um rico acionista de uma empresa. As vicissitudes, as circunstâncias um tanto penosas provoca em Manuelle uma certa aversão contra o pai que a negligenciara.
Outro personagem muito importante é Roberto Wurmam, o melhor amigo de Clark e seu maior cúmplice e confidente. Roberto é como um correspondente que corre atrás de fofocas e ao descobrir algo entrega pormenorizadamente para Clark. É ele que ao descobrir algo sobre a filha de Edward, essa já com mais de 16 anos, relata ao presidente da Meisinger, que dessa descoberta maquina um plano que futuramente se tornaria o primórdio de uma tragédia.
Alberto Cooper é outro personagem da história e o único citado no prefácio. É um detetive que atua em casos de mortes misteriosos, como, no primeiro livro, a morte de Ricardo Meisinger, pai de Clark. É um personagem frio e é esse personagem que desenlaça em diálogos com João Lopes, seu antigo parceiro de investigação, o último mistério da história, a morte fatídica de um personagem.
A parte idílica da história e enredada em torno de um outro personagem e Manuelle Cavalhais; Jasom Mirojinick no início é um jovem músico que se apaixona por Manuelle. O amor dele por ela o faz aquiescer ao pedido de Júlia para que essa permitisse o namoro de sua filha, e ele, então, acaba deixando sua banda de rock e seu sonho de um dia se tornar um cantor de sucesso. É um personagem triste que se torna um tanto poético quando Manuelle resolve terminar o namoro entre eles.
Entre os personagens que compõem a história se destacam também Cristiane Graça e Bruna Lewis, sendo essa primeira esposa de Edward Radmim e a segunda esposa de Clark Meisinger. Em seu casamento, Cristiane é uma mulher feliz ao lado do marido, enquanto Bruna vive a tristeza de seu conúbio com Clark, que certamente não a ama e trata ela com indiferença e às vezes agressividade.

Uma inspiração fatídica.

Se alguém perguntar a algum escritor que acaba de publicar uma obra qual foi a inspiração para escrever um romance de tragédias e esse escritor responder que foi algum acontecimento funesto que marcara e marcará para sempre sua vida, a pessoa que tivera feito a pergunta ficaria um tanto confusa, pois a maior parte das pessoas acreditam equivocadamente que a inspiração provém de acontecimentos agradáveis, que ela surge em momentos que o escritor sente-se jubiloso, feliz, romântico ou no máximo melancólico. Mas é um axioma entre os escritores o fato de que a inspiração surge nos momentos em que os mais variados sentimentos, sendo agradáveis ou não, estiverem no ápice, palpitando, fazendo com que o escritor sinta uma insana vontade de sair à rua gritando as palavras que estão em sua mente. Mas ele não pode fazer isso. Por essa razão, na intenção de que porventura algum dia uma pessoa literalmente leia seus pensamentos, ele apanha uma folha de papel e uma caneta e risca ali as palavras.

Para o autor do Vidas Vinculadas à Tragédia foi mais ou menos dessa forma que aconteceu. A inspiração foi fatídica.

Era 2005. A cidade era Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. Na época, Hamilton Antunes trabalhava em uma metalúrgica no turno da noite, sem objetivo nenhum na vida, realmente além de trabalhar e posteriormente ter uma família e uma casa. Um carro, talvez. Enfim, sonhos “módicos”, modestos, de pessoas comuns. Trabalhava sem imaginar que naquela noite de 17 de maio uma surpresa o obtundiria, não apenas a ele como a todos de sua família. Tudo começou quando, sentado nos degraus de um ônibus, ele percebeu de soslaio que o encarregado do setor de montagem da empresa se aproximava e o chamou com um aceno quando Hamilton fixou os olhos em seu rosto; a soturnidade marcando a expressão dele de certa forma subjugou o funcionário. Junto ao encarregado já estava seu irmão, Claudemir da Silva Antunes, que também trabalhava naquela empresa.
Segundos depois os três caminhavam paralelamente em direção os portões de saída da empresa. Enquanto caminhavam, assim que chegaram ao pátio, o encarregado pronunciara as palavras num tom de voz seco, assomo de que ele mesmo se esforçava para acreditar nas palavras que saíam pela boca:
"Houve um assalto perto de sua casa. Sua irmã e seu cunhado foram assaltados próximo ao cemitério". Ele olhou com gravidade para o rosto dos dois em sua frente. Tinha que ser inexorável, não delongar a aflição patenteada naqueles olhos. "Disseram que sua irmã está morta e seu cunhado levou um tiro e foi levado ao hospital".
Houve um suspiro de ambos os irmãos e uma aflitiva troca de olhares. Alguns minutos depois estavam os dois ao lado do cemitério, ao lado do corpo procumbido no chão de terra.
No outro dia pela manhã o corpo de Marines da Silva Antunes foi velado próximo a sua casa; coincidentemente, naquele dia chuvoso sua filha completara seu segundo aniversário.
Vinte oito dias depois os investigadores elucidaram o caso, eles encontraram o criminoso; o próprio marido de Marines tivera dissimulado um assalto e disparou alguns tiros contra sua esposa e um contra sua própria barriga. No dia do julgamento, meses depois, ele usara de um álibi falso que até no juri composto de otários se denotava olhares duvidosos. Mas foi provado indiscutivelmente pelos investigadores e asseverada pela promotora que Marines não estava traindo seu marido e que ele a matou para apossar-se de um seguro de vida que ela tinha na empresa em que trabalhava. Acreditam-se que um promotor só é bom profissionalmente se ele for empático e um advogado só é bom realmente se for inexorável.
Dizem que a inspiração surge em momentos impróprios, talvez “impróprio” não seria a palavra apropriada, e sim “inopinada”. Seria verdade? Surge nos momentos em que estamos taciturnos, felizes, arrebatados, vazios... São palavras que exprimem do nosso ponto de vista, do nosso coração, o que sentimos naquele momento.
Dias depois da morte de sua irmã, Hamilton, relembrando de cada segundo dos dois últimos dias, apanhou um papel e uma caneta de tampa mascada e começou a riscar as primeiras palavras do que quatro anos depois seria o livro Vidas Vinculadas à Tragédia. Foi um texto rápido em um tanto deprimente que se encontra destacado no primeiro dos três livros em que se divide o romance, após a morte de um personagem:

"Quando se olha ao redor e consegue-se ver apenas lágrimas, quando dá impressão que o próprio espírito abandonou seu corpo, nesse momento você se torna nada mais que um miserável cadáver ambulante. Quando todos tentam sorrir disfarçadamente para que o clima de tristeza, angústia e abandono se dissipe, e quando você olha para o “centro” de tudo aquilo e não se conforma em estar ali, a lágrima cai...,. Nesse momento você não consegue parar para pensar, tipo, não pensa em andar três passos para lá e voltar três passos para cá. Não relembra de momentos felizes, afinal, nem sobra espaço dentro de si para relembrar. Nesse momento, um segundo se transforma em um minuto, e aquela manhã, e aquela tarde, e também aquela noite, juntas se transformarão no dia mais árduo e deprimente de toda sua vida. Porque ninguém consegue superar uma perda, simplesmente habituamos-nos a ela e nos tornamos pessoas diferentes. Surge, então, a maturidade que todos querem, mas depois que a conquistam começam a sentir inveja da pueril felicidade das crianças, únicos pequenos seres que vêem a vida como um simples parque de diversões."


Nasceu, assim, de forma triste, um escritor cheio de planos e ideias que serão descritas em um papel. Palavras que um dia, provavelmente, alguém as leia e as compreenda.










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